quinta-feira, 28 de abril de 2011

HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE
A Tradição e a Renovação
Poetas, Escritores e Intelectuais
Luís Carlos Lins Wanderley é o autor de "Mistério de um Homem", em dois volumes. É apontado por alguns como sendo o primeiro romance escrito no Rio Grande do Norte.
Isabel Urbana de Albuquerque Gondim nasceu, provavelmente, em 1839, também em Papari. Foi professora, poetisa e a primeira historiadora do Estado. Escreveu várias obras, como 'Sedição de 1817, na Capitania do ora Estado do Rio Grande do Norte"(1919), "O Sacrifício do Amor" (1919), "Lira Singela" (1933), etc.
No movimento abolicionista, brilhou Segundo Wanderley.
Vem, depois, a geração do Oásis que, como disse Câmara Cascudo, "nasceu literalmente com o advento republicano". Dessa fase se destacaram dois irmãos: "Henrique Castriciano e Auta de Souza.
Henrique Castriciano, bacharel em Direito, muito viajado, e possuidor de uma grande cultura, chegou a ser vice-governador do Estado. Como disse Romulo Wanderley, foi "jornalista, escritor, crítico, impões-se aos seus contemporâneos pelo talento, pela cultura e pela inspiração poética".
São seus os seguintes versos:
"Ah! Como é triste o aboio! Ah, como é triste o canto sem palavras - tão vago - a saudade exprimindo.
Das selvas do sertão, no mês de junho rindo.
Pelos olhos azuis das crianças, enquanto
No tamarinho verde, asas abertas, trina
À beira dos currais, o galo de campina!
Auta de Souza, poetisa, escreveu apenas um livro, "Horto", com várias edições.
A poesia "Meu Pai", começa assim:
"Desce, meu Pai, a noite baixou mansa
Nem uma nuvem se vê mais no céu:
Aninham-se aqui no peito meu,
Onde, chorando, a negra dor descansa".
HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE
A Tradição e a Renovação
Poetas, Escritores e Intelectuais
A vida intelectual, no Rio Grande do Norte, estava ligada ao jornalismo político.
 E a "modinha", no dizer de Câmara Cascudo, representava a "exteriorização literária".
O mesmo autor descreve o contexto da época: "os poetas ficavam na classe populesca
 dos improvisados ou dos modinheiros, versos eram musicados e cantados nas serenatas,
acompanhados pelos vilões sonoros".
Alguns poetas que se destacaram na época foram Miguel Vieira de Melo (1821-1856),
Gustavo da Silva (1832-1856), Rafael Aracanjo da Fonseca (1811-1882), etc.
O primeiro jornal do Rio Grande do Norte, o "Nordeste", foi fundado pelo padre
 Francisco Brito Guerra, em 1832.
Depois, João Manuel de Carvalho, fundou o primeiro órgão de imprensa
de caráter literário, chamado 'O Recreio'.
Outros jornais foram surgindo com maior ou menor duração,
revelando para a comunidade diversos jornalistas e intelectuais: Joaquim Fagundes (1857-1877)
e José Teófilo (1852-1879), por exemplo.
Na década 1870 - 1880, os bailes, que eram mensais, se transformaram
em locais onde as pessoas cantavam e declamavam poesias.
Merece destaque uma potiguar que passou vinte e oito anos na
 Europa e se tornou célebre pela sua luta a favor do soerguimento da mulher,
sendo igualmente,
uma grande escritora. Dionísia Gonçalves Pinto,
mais conhecida pelo seu pseudônimo Nísia Floresta.

sábado, 23 de abril de 2011

Por toda a parte rosas brancas vejo...
Rosas na fímbria loira dos Altares,
Coroadas de
amor e de desejo...
Rosas no céu e rosas nos pomares.
Uma roseira o mês de Maio.

Aos pares
Surgem, da brisa ao tremulante arpejo,
Estrelas que recordam, sobre os mares,
Rosas envoltas num cerúleo beijo.

E quando Rosa, em cujo nome chora
Esta febre cruel que me devora,
De si me fala, em gargalhadas francas,

Muda-se em rosa a flor de meus martírios,
O
som de sua voz, a luz dos círios...
O próprio Azul desfaz-se em rosas brancas
Autor:     (Henrique Castriciano)
FRASE DE LUÍS DA CÂMARA CASCUDO
" Faço questão de ser tratado por esse vocábulo que tanto amei: professor. Os jornais, na melhor ou na pior das intenções, me chamam folclorista. Folclorista é a puta que os pariu. Eu sou um professor. Até hoje minha casa é cheia de rapazes me perguntando, me consultando."
(Fonte: Memória Viva)

domingo, 17 de abril de 2011

Curiosidades sobre Nísia Floresta
  • Nísia Floresta se casou só com treze anos, mas naquele tempo isso podia. O marido dela era chato e queria que ela só ficasse em casa cuidando dele. Ele nem gostava muito porque ela lia muitos livros e ele nem conseguia ler. Ela acabou não gostando mais dele e separou;
  • O nome verdadeiro dela é: Dionísia Gonçalves Pinto Lisboa. O outro é um apelido bem legal que ela escolheu. Sabe o que significa? Nísia é o nome dela no diminutivo; é também para homenagear o pai dela que se chamava Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa. Ele era advogado e escultor;
  • Floresta: era para ela ficar se lembrando do sítio onde nasceu; Brasileira: é porque ela era feliz por ser brasileira; Augusta é porque ela queria ficar se lembrando do segundo marido que era Manoel Augusto de Faria Rocha. Eles tiveram dois filhos. Primeiro veio uma menina que era Lívia Augusta de farias Rocha. Ela nasceu em Recife. Depois veio um menino: Augusto Américo de Faria Rocha. Ele nasceu em Porto Alegre.

terça-feira, 12 de abril de 2011

        Retrato
Me lembrava da menina
escavacando o chão agreste,
me lembrava do menino
carregando melancias.
Em que terras desembocam
esses talos de crianças
mais finos que as maravilhas,
mais fortes que a ventania?
Dois pés descobriram casa,
multiplicaram-se em hastes
— são cabeleiras de trigo
dos moinhos de Van-Gogh.
A sobra dos dois irmãos
repartiu-se entre os veleiros:
seu tronco desarvorado
virou estrelas no mar.
(Zila Mamede)
 
CONTA DE ENERGIA
No mês do centenário, uma homenagem
nas contas de energia 
LOTERIA
A Caixa Econômica também homenageou Cascudo
CÉDULA
Cascudo ilustrou a nota de Cr$ 50.000 na Era
Collor 
SELO
Homenagem dos Correios no ano do centenário
Luís da Câmara Cascudo
Câmara Cascudo - Foto: Carlos Lyra     Eu gostaria de saber qual o traço mais marcante da cultura popular brasileira. Gostaria de saber, pelo seguinte, porque uma cultura popular é milenária e contemporânea. É de todas as épocas e do momento. A nossa vem das fontes mais antigas e variadas. Das indígenas, de onde vieram os nossos indígenas, qual as fontes étnicas culturais deles; quantas raças a África exportou nos navios negreiros para o Brasil.
     Cada um grupo étnico, era uma cultura, uma memória, uma projeção na nascente cultura brasileira, que era a miscigenação. Portugal é um tabuleiro de raças. Ali estavam todos os romanos, os celtas, os árabes e tudo isso veio para o Brasil, e naturalmente, logicamente, desse atrito a forma foi a mais inesperada, e a força de concentração mantém os elementos perenes, mas o tempo vai diferenciando, aculturando todas essas coisas.

Luís da Câmara Cascudo
Câmara Cascudo - Foto: Carlos Lyra     Fui professor de Direito e daí pensar que os órgãos tem direito de aposentadoria, aposentadoria plena. A minha audição aposentou-se, e com ela perdi as intimidades do som. Ora, para um professor de cinqüenta anos de exercício, falando sem ler, habituado às narrativas, aos pareceres e às disputas, não ouvir a voz humana, não ouvir o canto e a música, para quem foi vinte e cinco anos professor de História da Música e pianeiro. Não ouvir, pois, a voz humana, que é a projeção mais viva da individualidade, o timbre, a entonação, a veemência, a doçura... nada. Mas a surdez em Renier, em Beethoven, foi uma força propulsora, em mim é uma virtude contemplativa, é a maneira de ensimesmado, eu fazer os meus depoimentos silenciosos do meu passado e a história ainda indecisa do meu futuro.
     Longe de exasperar-me, a surdez torna mais suave os contornos da vida. Eu penso em Manoel Bandeira, que era surdo também, e toda vez que dizia que era surdo, completava “Graças a Deus”, porque a surdez o livrara de milhares e milhões de frases inúteis, de pareceres e de confidências dispensáveis.
     Por isso, eu agradeço, eu, não Manoel Bandeira, eu agradeço a surdez ter me evitado tanta coisa desagradável. Ouço o que me apraz, porque quem está falando para mim, eu transformo a gesticulação em idioma, e empresto valores fisionômicos a sua eloqüência.
     Assim, é sempre agradável ouvir o que não se ouve, ouvir com a sensibilidade.
    Sou uma coisa rara. Sou, sabidamente, um velho bem humorado. É porque a surdez põe muito de distância, arminho e pelúcia nos pensamentos. É preciso muita obstinação para me ser desagradável, é preciso escrever e insistir, mesmo assim a mensagem contundente, perde os ganchos e as arestas, e eu transformo os cacos de vidro em bolinhas para os meus netos brincarem.

Luís da Câmara Cascudo
Câmara Cascudo - Foto: Carlos Lyra     Porque resisti aos feitiços da política eleitoral e os amavios dos postos administrativos, ainda tão sedutores. Simplesmente porque não encontrava neles equivalência amável as minhas predileções. Resisti mesmo ao Senado, insistência do doutor Getúlio Vargas. Nunca fui secretário de Estado, nem oficial de gabinete, fui sempre presidente da minha república, escravo das minhas predileções, escravo negro de eito, cantando, cortando cana ou despolpando algodão nas minhas propriedades invisíveis, mas existentes em mim mesmo.
     Fui, como serei até fechar os olhos, um grande trabalhador nos terrenos da minha simpatia. Os outros, tão respeitáveis para mim, não existem, nem podem existir na minha participação.

Luís da Câmara Cascudo
Câmara Cascudo - Fonte: Carlos Lyra     O amor para mim foi um estímulo, não só no que realizei culturalmente, como na serenidade do meu lar, a fidelidade àquela menina de 1925, que eu casei-me em 29, e continua com a idade com que eu a conheci. Mas mesmo para Dáhlia, para minha mulher, para Dalequinha, nós atravessamos a diversidade dos amores: o amor do namoro, do noivado, do matrimônio, da paternidade, dos filhos, dos avós.
     A vida foi mudando e o nosso amor foi tomando nuanças mais penetrantes, de variedades que a nossa sensibilidade empresta. Assim, nós dois de mãos dadas, vemos a paisagem hoje com olhos que não víamos quando éramos namorados. Não sei qual foi a escritora, penso que foi Mme. de Sevigné que disse: “Veja as belezas da Itália enquanto não se apaixona, porque depois de se apaixonar verá as coisas todas diferentes”.
     Mas para um trabalhador mental como eu, o amor foi um estímulo, a força, a fidelidade, a alegria do trabalho e da posse. Ainda posso ficar ao lado da minha mulher muito tempo de mãos dadas, sendo suficiente a sua presença. Ao mesmo tempo mando, dou de comida as duas rolinhas que estão passeando. Essa diversidade, essa sensibilidade omnímoda pelas coisas vem do amor, da ternura com que se dê a paisagem humana e a figura que, lentamente envelhece ao nosso lado.
     Natal, minha cidade Natal, é o cenário imóvel na minha memória. Natal foi a impressão primeira, o ambiente emocionador da minha meninice, adolescência e madureza. O homem é a cidade em que nasce. O povo da minha cidade foi a minha curiosidade inicial, a pesquisa do repórter, a análise do estudioso. O povo na convivência termina sendo a grande família anônima, da qual nós vivemos. Por isso, eu acredito aos oitenta anos, que quem não tiver debaixo dos pés da alma, a areia de sua terra, não resiste aos atritos da sua viagem na vida, acaba incolor, inodoro e insípido, parecido com todos.
Cascudo - Foto de Carlos Lyra
Luís da Câmara Cascudo
     Tenho a impressão de ser o que chamam na Itália, Uomo qualunque, um homem igual aos outros. Toda a minha vida se resume naquele dois versos de Afrânio Peixoto: Ensinou e escreveu, nada mais aconteceu.
     Sou de famílias tradicionais do Norte de Portugal e da ilha de São Miguel do Açores, vindas para o Rio Grande do Norte no começo do século XVIII. Não tiveram grande notoriedade, nem nota de desabono. Foram proprietários, fazendeiros, pequenos industriais, membros do Partido Conservador, por isso é que eu sou Cascudo, não o escaravelho, nem o peixe, o precostomus loricariae, mas, simplesmente, porque meu avô paterno era um dos chefes do Partido Conservador, e o Partido Conservador que chamavam Saquarema, também tinha um apelido de Partido Cascudo, quer dizer, teimoso, obstinado, e deram para chamar o meu avô de “o velho Cascudo”. Como eu sou filho único, para não desaparecer o título, comecei a usar também, porque meu pai foi o único a usar. Assim, não há família Cascudo, é um apelido que se tornou patronímico.
     Fui uma criança profissionalmente enfermiça: pálida, doente, com pulmões suspeitos. Assim, não tenho recordações de infância, nunca corri, nunca subi uma árvore, nunca brinquei livremente, passava a vida sentado vendo figuras e os jogos parados. Não tive companheiros de infância, decorrentemente, para meu destino, já a minha meninice, a minha infância, foi uma infância de livros, de ver figura e ver a paisagem que se transformou numa paisagem humana, e aí começa o mistério da vocação.
     Sempre amei as histórias contadas pelas amas e pelos espetáculos populares: a feira, o mercado, as procissões. Sempre amei o cotidiano e não o excepcional, e decorrentemente, os meus livros vêm dessa paixão pelo normal e pelo cotidiano.
 Sou um homem mais de fé do que de culto. Posso recusar a extrema-unção, vou me entender pessoalmente com Deus.
* * *
Sou um homem que não desanimou de viver e acho a vida cheia de encantos.
* * *
 Amizade é amor sem sexo.
* * *
   Faço questão de ser tratado por esse vocábulo que tanto amei: professor. Os jornais, na melhor ou na pior das intenções, me chamam folclorista. Folclorista é a puta que os pariu. Eu sou um professor. Até hoje minha casa é cheia de rapazes me perguntando, me consultando.
* * *
     Sou um homem que não desanimou de viver e acho a vida cheia de encantos.
(Câmara Cascudo)
         AUTA DE SOUZA
Eu não sei o que tenho... Essa tristeza
Que um sorriso de amor nem mesmo aclara,
Parece vir de alguma fonte amara
Ou de um rio de dor na correnteza.

Minh'alma triste na agonia presa,
Não compreende esta ventura clara,
Essa harmonia maviosa e rara
Que ouve cantar além, pela devesa.

Eu não sei o que tenho... Esse martírio,
Essa saudade roxa como um lírio,
Pranto sem fim que dos meus olhos corre,

Ai, deve ser o trágico tormento,
O estertor prolongado, lento, lento,
Do último adeus de um coração que morre...

 
FRASES DE NÍSIA FLORESTA
“Que personagens singulares! (...) Exigir uma servidão a que eles mesmos não têm coragem de se submeter, (...) e querer que lhe sirvamos de ludibrio, nós, a quem eles são obrigados a fazer a corte e atrair em seus laços com as submissões as mais humilhantes.”
Em “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”, 1832.

“Flutuando como barco sem rumo ao sabor do vento neste mar borrascoso que se chama mundo, a mulher foi até aqui conduzida segundo o egoísmo, o interesse pessoal, predominante nos homens de todas as nações.”
Em “Passeio ao Jardim de Luxemburgo”, 1857.

“A escravidão (...) foi sancionada pelos mesmos homens, que tudo haviam sabido sacrificar para libertar-se do jugo de seus opressores, e assumirem a categoria de nação livre! Eles, que acabavam de conquistar a liberdade, não coravam de rodear-se de escravos!”
Em “Páginas de uma Vida Obscura”, 1855.

“Certamente Deus criou as mulheres para um melhor fim, que para trabalhar em vão toda sua vida.”
Em “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”, 1832.

“As dores morais do negro passam despercebidas nas habitações do branco.”
Em “Páginas de uma Vida Obscura”, 1855.
             Luís da Câmara Cascudo
 Escritor e folclorista, nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 30 de dezembro 1898 e faleceu na mesma cidade, em 30 de julho de 1986. É um dos mais importantes pesquisadores das raízes étnicas do Brasil.
Aos seis anos já sabia ler. Estudou Latim durante três anos com o mestre João Tibúrcio. Em 1922, aprendeu a ler inglês, para acompanhar os viajantes pela África e Ásia. É dele a tradução comentada do livro Travels in Brazil, de Henry Koster, viajante inglês, obra das mais valiosas para o conhecimento e interpretação do Brasil, no início do século XIX.
Na sua juventude morou na chácara Vila Cascudo, no bairro Tirol, onde havia reuniões literárias.
Estudou no Atheneu Norte Riograndense e cursou Medicina nas Faculdades de Medicina da Bahia, em Salvador, e do Rio de Janeiro, até o 4º ano.
Em 1928, formou-se pela Faculdade de Direito do Recife e concluiu também, no mesmo ano, o curso de Etnografia, na Faculdade de Filosofia, do Rio Grande do Norte.
Foi pai de dois filhos: Fernando Luís e Anna Maria, frutos do casamento com Dhália Freire, realizado em 21 de abril de 1929.
Sua trajetória profissional teve início como jornalista do periódico A Imprensa, de propriedade de seu pai, o coronel Francisco Cascudo. N’A Imprensa, em 18 de outubro de 1918, publicou sua primeira crônica, O Tempo e Eu, na coluna intitulada Bric-a-Brac. Foi colaborador de vários jornais de Natal e de algumas cidades do País. Manteve, inclusive, seções diárias nos periódicos A República e Diário de Natal, no período de 1939 a 1952 e de 1959 a 1960.
Em 1920, na antologia poética de Lourival Açucena, Versos Reunidos, escreveu a introdução e as notas.
Publicou seu primeiro livro aos vinte e três anos de idade, Alma Patrícia(1921), um estudo crítico e biobibliográfico de 18 escritores e poetas norte-rio-grandenses ou radicados no Estado.
Foi professor de Direito Internacional Público, na Faculdade de Direito do Recife e de Etnologia Geral, na Faculdade de Filosofia, em Natal.
Escreveu sobre os mais variados assuntos. Sua especialização foi na etnografia e no folclore, mas sua predileção era pelas áreas de história, geografia e biografia, especialmente do Rio Grande do Norte.
É considerado o Papa do folclore brasileiro. Publicou, entre outros, as seguintes obras:
Alma patrícia (1921); Joio: página de literatura e crítica (1924); Conde D´Eu (1933); Vaqueiros e cantadores: folclore poético do sertão de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará (1939); Antologia do folclore brasileiro (1943); Geografia dos mitos brasileiros (1947); Os holandeses no Rio Grande do Norte (1949); Meleágro: depoimento e pesquisa sobre a magia branca no Brasil (1951); Dicionário do folclore brasileiro (1954); História do Rio Grande do Norte (1955); Geografia do Brasil holandês (1956); Jangadas: uma pesquisa etnográfica (1957); Rede de dormir (1959); A cozinha africana no Brasil (1964); Made in Africa: pesquisa e notas (1965); História da República no Rio Grande do Norte (1965); Prelúdio da cachaça (1968); História da alimentação no Brasil (1967-1968); Ensaios de etnografia brasileira (1971);Sociologia da açúcar: pesquisa e dedução (1971); A vaquejada nordestina e suas origens (1974); Antologia da alimentação no Brasil (1977).
 Recife, 18 de julho de 2003.
(Texto atualizado em 27 de fevereiro de 2009).

JORGE FERNANDES (1887-1953)

 
APRESENTAÇÃO – por Humberto Hermenegildo de Araújo
Jorge Fernandes de Oliveira nasceu e morreu em Natal-RN, e forma par com Luís da Câmara Cascudo no que diz respeito à história do movimento modernista no Rio Grande do Norte. Publicou o seu único livro de poemas aos quarenta anos de idade. Antes, publicara em 1909 um livro de contos humorísticos: Contos & Troças e Loucu­ras – contos humorísticos de Jorge Fernandes e versos de Ivo Filho. O poeta modernista do Rio Grande do Norte participara, entre o fim do século XIX e o início do século XX, de vários jornais e revistas, em companhia de “antigos poetas natalenses”, como o popular Ferreira Itajubá (1877-1912). A partir da segunda metade da década de 1920, com a chegada a Natal do ideário modernista, Jorge Fernandes rompeu com as formas tradicionais. Boa parte dos poemas do seu livro são histórias de reminiscências e testemunhos de ruptura com o passado, ao mesmo tempo em que são a construção de uma nova época.
De família tradicional e irmão de intelectuais e homens públicos, Jorge Fernandes não chegou a concluir, no entanto, os estudos. Abandonando logo cedo o Atheneu Norte-Riograndense, passou a trabalhar em uma fábrica de cigarros e foi, também, caixeiro-viajante. Entre os anos de 1920 e de 1930 negociou com bares e “cafés”, até que em 1935 foi nomeado 4º Escriturário do Tesouro do Estado, cargo no qual se aposentou. Segundo Câmara Cascudo, “Sua cultura era um tecido de intuições. Adivinha­va. Lera pouco. Ultimamente, depois de 1925, mais um tanto, mas sem seqüência, siste­máti­ca, disci­plina. Nunca saiu do Rio Grande do Norte. Só lia em Português [FONTE: CASCUDO, Luís da Câmara. Jorge Fernandes. In: FERNANDES, Jorge. Livro de poemas e outras poesias. Natal: Fundação José Augusto, 1970. p. 23-27].
Com edição de 300 exemplares, o Livro de poemas de Jorge Fernandes (1927) foi editado na tipogra­fia do jornal A Imprensa, graças ao apoio de Câmara Cascudo, que se encarregou de apresentá-lo a Manuel Bandeira e a Mário de Andrade, entre outros nomes do movimento modernista. O mesmo Câmara Cascudo apresentou o livro, em posfácio (sob o título Depoimento de Luís da Câmara Cascudo sobre o Livro de poemas de Jorge Fernandes), e também escreveu uma resenha, que publicou no jornal A Imprensa (em 14 de setembro de 1927, sob o título Bric-à-Brac).
Antônio de Alcântara Machado resenhou o livro na Revista de antropofagia (Ano I, n. 1, p. 4, maio, 1928), em tom de admiração pela forma original de poemas que tematizam a vida sertaneja e, ao mesmo tempo, com um senso crítico que percebe a dificuldade de leitura para um leitor do sul do país (devido à presença de vocábulos e expressões regionais).
Mário de Andrade conheceu pessoalmente Jorge Fernandes no dia 07 de agosto de 1927, em passagem por Natal, na volta da sua viagem à Amazônia, embora tenha lido poemas seus a partir do ano de 1925, conforme se pode verificar através de uma carta para Luís da Câmara Cascudo:
Quem é esse Jorge Fernandes, hem? A apresentação de você está engraçadíssima. E o tal de Jorge Fernandes me deixou com água no bico. É bom mesmo. Sensibilidade e inteligência, me parece. [...] “Remanescente” estupendo inteirinho e o último verso é colossal. “Talvez na guerra contra o Paraguai”… que mundo está nesse verso! Que achado formidável.
FONTE: ANDRADE, Mário de. Cartas de Mário de Andrade a Luís da  Câmara  Cascudo.  Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Vila Rica, 1991. p. 38. [carta de 6 nov. 1925]
No acervo do Instituto de Estudos Brasileiros–IEB/USP, encontra-se um exemplar do livro que o poeta enviou para Mário de Andrade, com a seguinte dedicatória: “Ao meu grande Mário o meu livro todo errado. 14 Mar. 1928”. Esse livro “todo errado” tivera um projeto de título, conforme narra Marcos Antonio de Moraes:
[...] o que veio a se tornar, em 1927, o “Livro de poemas”, brochura tosca de papel cinzento, impresso na Tipografia d’A Imprensa de Natal, fora antes concebido com o nome de Pensamento Evadido da Cella n. 14 (soneto). “Evadido” foi ainda o substituto de “liberto” que, rasurado pelo próprio poeta, pode ser entrevisto. Ao lado desta indicação na folha contendo datilografado o poema “relógio”, Jorge anota “nome do livro”. Este poema, datado de março de 1926, em cuja folha aparece a intenção primeira do poeta natalense, e outros sete, entre os quais, quatro deles inéditos em livro, foram enviados ao escritor paulista Mário de Andrade [...].
FONTE: MORAES, Marcos Antonio de. Pensamentos evadidos de Jorge Fernandes.  O Galo, Natal, nov./1997, n. 11, p. 7-9.
Infelizmente, não existem mais documentos que revelem o desfecho do título definitivo como Livro de poemas de Jorge Fernandes. Ficamos com a certeza de que o poeta acertou no seu título, pois aconteceu a libertação da “cela” através da narração do processo que superou a prática parnasiana: os “pensamentos evadidos” superaram-se nos “poemas parnasianos” e se “concretizaram” nos poemas modernos…



Henrique Castriciano (1874 – 1947)

 
HENRIQUE  CASTRICIANO DE SOUZA, o “príncipe dos poetas potiguares”, como costumavam chamá-lo, nasceu no dia 15 do mês de março, 1874, sendo fruto da união entre Eloy Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina Rodriguez de Souza.
Filho originário da cidade de Macaíba/RN, logo muito cedo, aos cinco anos de idade, veria-se obrigado a abandonar sua terra natal devido à morte de sua mãe, vítima da tuberculose pulmonar, mesma moléstia que mais tarde, em 1881, levaria seu pai ao falecimento. Passou então a morar no Recife, onde viveu sua infância sob os cuidados da avó materna, Silvina Maria Rodriguez.
Devido à sua vocação para as letras e gosto pelo estudo, e também ao seu estado de saúde sempre enfermiço, Henrique Castriciano perambula por várias regiões do país, ora em busca da melhora de sua tuberculose, ora em busca de maior formação acadêmica e intelectual. De Macaíba ao Rio de Janeiro, onde se formou pela Faculdade de Direito, passando por Angicos, Serra do Martins, Tibau, Fortaleza e Natal, H. Castriciano viveu e vivenciou as várias experiências que o tornaram o intelectual que:
[...] fala e vive suavemente, inimigo das exteriorizações e dos alardes de glória. Para os jornais, é o Príncipe, o árbitro seguro, a decisão pronta e límpida de uma inteligência sólida. (Albuquerque, 2004, p. 9)
Além de poeta e prosador, onde se destaca por fundar e ser o primeiro presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, foi hábil educador, criando a Liga de Ensino do RN e a Escola Doméstica de Natal, e político por “contágio” por parte do irmão Eloy de Souza, como afirma Câmara Cascudo em seu livro-biografia Nosso amigo Castriciano. O “Filósofo” Henrique, como também era referido, foi sempre versátil em suas atividades enquanto fomentador da cultura potiguar.
Quanto à sua participação na política, no período de 1900 a 1924 foi Secretário do Governo (durante a gestão de Alberto Maranhão como Governador), Procurador Geral do estado (1908), Deputado Constituinte e Presidente da Assembléia (1915), e ainda Vice-Governador nos governos de Ferreira Chaves e Antônio José de Melo e Souza.
Além de publicar vários livros em verso e prosa, foi também colaborador de vários jornais e revistas, como A República e A Tribuna, onde ficou expressa grande parte de sua produção artística.
Obras:
Poesia: Iriações (1892); Ruínas (1899); Mãe (1899); Vibrações (1903); Redenção de Satã (1931)
Romance: Os mortos (1920);  O tísico (1931)
Teatro: Suprema dor (1899); O enjeitado (1900);  A promessa (1907)

Organizador deste link: Joaquim Adelino Dantas (NCCEN/UFRN)


Othoniel Menezes (1895-1969)

O natalense Othoniel Menezes de Melo nasceu no dia 10 de março de 1895, filho de João Felismino de Melo e Maria Clementina Menezes de Melo. O poeta faleceu no dia 19 de abril de 1969.

Zila Mamede (1928-1985)

 
Zila Mamede publicou seis livros de poesia: Rosa de pedra (1953);  Salinas (1958); O arado (1959);  Exercício da palavra (1975);  Navegos (1978, reunindo o conjunto de sua poesia publicada mais um novo livro – Corpo a corpo); A herança (1984).
Como pesquisadora, publicou:  a) Luís da Câmara Cascudo: 50 anos de vida intelectual, 1918-1968; bibliografia anotada… Natal: Fundação José Augusto, 1970. 2v. em 3;  b) Civil geometria. São Paulo: Nobel/edusp/INL/Vitae, 1987. 524 p.
Organizador deste link: Carlos André Pinheiro (PPgEL/UFRN).
FonteRevista da FARN, Natal, v.4, n. 1/2, p. 157-160, jul. 2004/dez. 2005. Textos de Paulo de Tarso Correia de Melo e de Gildete Moura de Figueirêdo.
Apresentação por Carlos André Pinheiro:
Zila da Costa Mamede nasceu em setembro de 1928 em Nova Palmeira, pequena cidade localizada no interior da Paraíba. Passou parte da infância no sítio do avô, que acabou se transformando em um importante espaço para a formação cultural da autora. Ainda criança, mudou-se com a família para Currais Novos (RN), onde o pai iria trabalhar na manutenção de máquinas utilizadas no campo. Em plena Segunda Guerra Mundial, os conhecimentos mecânicos do pai levaram-no à capital potiguar para trabalhar na base aérea local. Uma vez instalada em Natal, Zila Mamede assumiria a cidade como o lócus poético majoritário da sua obra.
Em 1953 publica Rosa de pedra, seu primeiro volume de poesias. Nele, o sujeito e o mundo estão em constante desintegração – o que, de certa forma, assinala o etos do fragmentado homem moderno. Por isso mesmo, imagens e símbolos são utilizados para compor as cenas de uma realidade impressionista, marcada pela efemeridade e pela vertigem. O livro é levemente guiado por princípios da geração de 45, sobretudo no que diz respeito ao uso do soneto e das imagens concretas; essa filiação também justifica o caráter ambíguo da obra, que parece ter uma base na tradição e outra na modernidade. Apesar de o tom retórico ter prejudicado um pouco o estilo, as belas imagens que compõem o livro são suficientes para atestar a sua alta qualidade, tanto que Manuel Bandeira chegou a considerá-lo um dos dez melhores volumes de poesia publicados no país.
A partir de então, Zila Mamede começou a conciliar a carreira literária com atividades desenvolvidas em outras áreas. Primeiro matriculou-se no curso de Biblioteconomia do Instituto de Educação; depois, foi aprovada no curso de Direito, mas abriu mão a favor de uma formação como bibliotecária. Em 1957, foi para o Rio de Janeiro fazer o Curso Superior de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional. Nessa ocasião, foi enviada à Europa pelo jornal O globo para cobrir um evento religioso.
Em 1958 publica seu segundo livro de poesias. Em Salinas ainda persiste o tom de um discurso intimista, mas já se nota certo afastamento das imagens surrealistas e do caótico universo interior que marcaram a obra antecedente. A fortuna crítica costuma vê-lo como uma obra de transição – termo perigoso, impreciso e um tanto equivocado: primeiro porque muitas mudanças operadas neste livro não tiveram continuidade no volume seguinte; depois, a posição transitória tende a minimizar o valor da obra, quando ela é na verdade, do ponto de vista estilístico e estético, um dos trabalhos mais graciosos de Zila Mamede. Em Salinas a poeta operou o refinamento da linguagem, que passa a ser mais objetiva sem, com isso, perder o encanto típico do gênero lírico. Outra importante mudança diz respeito à captação das cenas familiares e dos motivos externos, dando à obra uma dimensão social (ainda que tímida) que era quase inexistente em Rosa de pedra.
Em 1959 Zila Mamede publica O arado, obra fundamentalmente amparada na tradição do passado rural. É certo que as cenas sertanejas constituem um dos fatores responsáveis pela popularidade do livro, mas elas também mostram que Zila Mamede extraiu da própria experiência de vida o mote para a composição de seus poemas – o que, de certa forma, justifica o caráter vivo e coerente das imagens. Em algumas peças, nota-se o lastimável regresso à linguagem retórica do primeiro livro; mesmo assim, não há grandes prejuízos para o estilo. É importante salientar que, apesar das muitas cenas idílicas que compõem a obra, há uma crítica social implícita nas imagens agrestes. Com efeito, ao se voltar com tamanha ênfase para a cultura e para a tradição sertaneja, O arado acaba se tornando um grito de resistência contra algumas atrocidades advindas com a modernidade; não é de estranhar, portanto, que a autora descreva de forma um tanto penosa as mudanças operadas na sociedade natalense.
Depois de O arado, Zila se voltaria com mais fervor para a carreira profissional de bibliotecária. Em 1961 foi para os Estados Unidos (Syracuse University) fazer um estágio na sua área de atuação. Em 1964 fez pós-graduação na Universidade de Brasília, ocasião em que começou o trabalho bibliográfico sobre Câmara Cascudo; esteve cerca de 5 anos voltada para esse projeto e somente em 1969 veio a luz o resultado de tanto esforço: o livro Luis da Câmara Cascudo: 50 anos de vida intelectual.
A próxima obra poética sairia apenas 1975, mas a verdade é que o tempo dedicado aos trabalhos bibliográficos acabou por imprimir um viés mais analítico e ordenado à sua poesia. Escrito lentamente ao longo de alguns anos (pois há manuscritos datados de 1962), Exercício da palavra é, sem dúvida alguma, o livro mais bem elaborado de Zila Mamede e denuncia uma escritora com pleno domínio de sua linguagem poética. De feitura que converge um pouco para o concretismo, o volume é um retrato da modernização por que passava a capital potiguar na época; a solidez das imagens é, portanto, uma forma condizente com o crescimento vertical da cidade. O discurso é claro, objetivo e espontâneo, o que resultou em um texto imune ao sentimentalismo piegas, muito embora ainda guarde o tom gracioso dos demais livros. Trata-se de uma obra eminentemente metalingüística, já que (mesmo quando não fala abertamente em poesia) é notório o interesse da autora em conseguir um impecável acabamento formal para seus poemas.
Embora pareça ser guiado pelo mesmo princípio estético do livro precedente, Corpo a corpo (1978) é uma súmula dos principais temas abordados pela a autora ao longo do tempo; nele aparecem tanto as imagens da nova realidade concreta, quanto as cenas familiares, nordestinas e cotidianas que marcaram suas primeiras obras. É uma espécie de testamento poético e, por isso mesmo, não é de se estranhar o fato de o livro ter sido publicado como acréscimo ao volume de suas poesias completas. Apesar da agradável sensação de ordenação e síntese, falta-lhe a força que consagrou os melhores anos da carreira literária da autora.
Se Corpo a corpo pode ser encarado como um testamento poético, então A herança (derradeiro volume de poesias, escrito em 1984) é um testamento familiar. Nele, Zila Mamede dialoga com amigos e membros da família, resultando em um doce e severo lirismo confessional. Embora a proposta seja interessante e pertinente, nem de longe o livro alcança o valor estético dos demais volumes poéticos; apesar de momentos de pura realização estética, a expressividade das imagens já não é tão notória e falta-lhe mesmo o trato apurado com a linguagem.
Zila Mamede morreu em dezembro de 1985, vítima de afogamento na Praia do Forte; ao que tudo indica, a autora deve ter sofrido uma vertigem enquanto nadava naquela manhã. Pouco tempo depois sairia o livro Civil geometria, uma anotação bibliográfica sobre a obra e a fortuna crítica de João Cabral de Melo Neto – projeto já concluído pela autora, mas que vinha sendo realizado desde 1976 e que lhe tomou os derradeiros anos de vida.

                                    Segundo Wanderley (1860-1909)


Manoel Segundo Wanderley nasceu em Natal (6/04/1860), sendo filho de Dr. Luiz Lins Wanderley e D. Francisca Carolina Lins Wanderley. Em 1880, partiu para Salvador, onde se formou em Medicina. Faleceu em Natal, no dia 14 de janeiro de 1909.

                                            Nísia Floresta (1810-1885)

Dionísia Gonçalves Pinto nasceu no dia 12 de outubro de 1810, filha de Dionísio Gonçalves Pinto e de  Antônia Clara Freire. O seu pseudônimo, Nísia Floresta Brasileira Augusta, deu nome à cidade onde nasceu – Nísia Floresta, antiga Papari-RN.
Sobre a autora: DUARTE, Constância Lima.  Nísia Floresta – Vida e Obra. Natal: EDUFRN, 1995. 365 p.

Murilo Aranha (1890-1919)

Murilo Aranha nasceu em Macaíba, a 24 de julho de 1890, e era filho do livreiro Fortunato Aranha e de Bernadina Aranha. Trabalhou na imprensa em Natal, e no Rio de Janeiro. Faleceu na cidade de Lages-RN, a 23 de junho de 1919. Publicou Lucrécia Bórgia (poesia – 1918) e Nevroses (poesia – Rio de Janeiro, Livraria Leite Ribeiro, 1919). Deixou inédito um caderno de poesias (A Catedral).
Fontes:WANDERLEY, Rômulo C. Panorama da Poesia Norte-Rio-Grandense. Rio de Janeiro: Edições do Val LTDA, 1965. p. 169-170.
COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, 2001: 2v.

Manoel Dantas (1867-1924)

Manoel Dantas nasceu em Caicó-RN, em 1867. Jornalista e juiz de Direito, é autor da famosa conferência  Natal Daqui a Cinquenta Anos (proferida a 21 de março de 1909). Traduziu o Manifesto do Futurismo (Marinetti, 1909), publicando-o de forma pioneira no jornal A República (Natal, 5 de jun. 1909).
No dia 18 de junho de 1924, o jornal A Imprensa noticiou a sua morte [16/06/1924). Um mês depois,  o mesmo jornal deu a notícia de que houve uma homenagem da Maçonaria ao Dr. Manoel Dantas:“Sessão funebre da Loja 21 de Março – Oração de Luís da Camara Cascudo (…) a palavra de encanto para fazer surgir um Natal fantástica, iluminada a milhões de lâmpadas, cidade de ouro, imensa, toda clara, mármore branco de Pentalico, e em volta, o Potengy fazia a lenta ronda meiga com seu dorso d’esmeralda”.

Lourival Açucena (1827-1907)

Joaquim Edivirges de Melo Açucena nasceu a 17 de outubro de 1827, em Natal-RN, sendo filho de Manuel Joaquim Açucena e Maria Pacífica de Melo. Faleceu a 28 de março de 1907.

Segundo Câmara Cascudo, o poeta “cantor de modinhas” teve a primazia da voz nas festas e solenidades natalenses, durante 60 anos: Lourival era a alma alegre da cidade. Improvisador de festanças, tirada de “Reses”, sonetista aos numes da época, marcador de quadrilha, artista dramático, fazedor de brindes, compadre de meio mundo, respeitado e cortejador, era ainda aquele que conhecia -“Os tristes desvios /d’altivosas criaturas”.
FONTE: CASCUDO, Luís da Câmara. Introdução. In: AÇUCENA, Lourival. Lerênio (Joaquim Eduvirges de Melo Açucena). Versos reunidos por Luís da Câmara Cascudo. 2. ed. Natal: Editora Universitária, 1986, p. 25-26

João Lins Caldas (1888/1967)

“Pago todos os dias com os meus olhos / O belo espetáculo que o céu me dá. / Pago todos os dias e nunca me canso de / Olhar as estrelas.”
João Lins Caldas  (Manuscritos)
Organizadora deste link: Cássia de Fátima Matos dos Santos (UERN/NCCEN)

O poeta

João Lins Caldas nasceu na cidade de Goianinha, interior do estado do Rio Grande do Norte, no dia 1º de agosto de 1888, filho de João Lins Caldas e Josefa Leopoldina Lins Caldas. Cedo migrou, junto com os pais, para a cidade de Assú-RN, onde passou a infância e a adolescência. Os registros em seus poemas comprovam sua passagem pelas comunidades de Linda Flôr, Olho d´Água (pertencentes ao município de Assú) e Sacramento, atual cidade de Ipanguaçu-RN.
João Lins teve um único irmão, José Lins Caldas, nascido a 27 de dezembro de 1889, em Canguaretama-RN e falecido em 1933, em Natal-RN, com o qual tinha uma forte relação de afeto, a deduzir dos poemas que lhe dedicou. Os escritos para os pais também revelam os mais nobres sentimentos a eles dedicados.
Em 1912, o poeta potiguar migra para o Rio de Janeiro e lá conhece homens ilustres do cenário das letras da época. Um deles foi José Geraldo Vieira, romancista e médico, com quem travou uma forte relação de amizade, fato comprovado por depoimentos de ambos. Entre 1927 e 1930 viveu em Bauru, São Paulo, trabalhando nos escritórios da estrada de ferro Noroeste do Brasil. Retorna ao Rio em 1930, lá permanecendo até 1933, quando volta para Natal a fim de apoiar a família do irmão, pois este morrera precocemente. Depois de um tempo, o poeta segue para viver em Assú.
Em 1958, passados 19 anos ausente da capital do Estado, João Lins Caldas  visita Natal, sendo recebido por Câmara Cascudo e homenageado pelos poetas novos, dentre eles Celso da Silveira, Mirian Coeli, Zila Mamede, Newton Navarro, Dorian Gray, Luís Rabelo, Veríssimo de Melo, Moacyr de Góis e outros.  A homenagem é oferecida pelo prefeito da cidade, Djalma Maranhão, nos jardins do Teatro Alberto Maranhão.
Na cidade de Assú, morava em uma casa simples situada à rua Ulisses Caldas. Adquiriu nas redondezas um sítio ao qual nomeia Frutilândia (conferir “Memórias”). Ali cultivava muitas plantas frutíferas e encontrava nesse espaço inspiração para bucólicos e líricos poemas. No dia 18 de maio de 1967, com quase 80 anos, o poeta é encontrado morto em sua residência, vítima de acidente vascular cerebral – hipertensão arterial.
A Fundação José Augusto publicou a antologia Poética (1975), reunindo poemas esparsos do autor. Os seus textos inéditos estão sob a responsabilidade do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte.